A Carta

No verso daquela carta que não enviei estava escrito o quanto me dediquei a gente.
Você me deixou partir mais cedo do que eu contei, mas já esperava.

Foi o relacionamento mais gostoso que tive, valeu a pena.

Nas lembranças tem muito nós e eu anseio que desapareça logo, igual tu quando fizeres aquela mágica, tão rápido como.

Ahh, a paixão...
O desejo de ser desejado e a fome que ninguém se sacia. É um fogo incessante que arde. 


Talvez isso tenha me deixado confuso.

É tão complicado quanto a matemática, tão gostoso como um pedaço de pizza, tão doloroso quanto um grande corte.

Tu partiu e nem mesmo levou o teu jogo preferido, que era meu também.

As risadas, os beijos, os filmes clichês que eu amo e você dormia na metade, o chocolate e qualquer lanche dividido, as discussões que sempre acabavam em sexo, todo aquele carinho que sempre tivemos.

Como tudo isso foi acabar? 

A busca interminável por algo que parece não fazer sentido me faz querer voltar e acabar antes que tenha começado.

No fim todos se machucam como se tivessem perdido parte de si, como se a alma tivesse conectada e automaticamente ficasse fora do ar.

Tudo desmoronou e eu ainda leio aquela carta pensando em nós, quero rasgar e queimar ela mas não consigo deixar o passado no lugar dele.

Acabou, segui minha vida e tu também mas quando vejo aquela maldita carta guardada debaixo do meu colchão fico a refletir.

Penso tanto que as lágrimas vem, no verso daquela carta tem muito de nós dois e não consigo rasgá-la nem ao mesmo te entregar.

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