Sob o Olhar do Chefe
Imagem meramente ilustrativa via AI
O escritório estava silencioso naquela noite. As luzes florescentes lançavam sombras suaves pelas paredes, e o som das teclas do computador ecoava pelo ambiente vazio. Erika era a única que ainda estava ali, imersa em relatórios e planilhas. A última reunião havia terminado tarde, e ela queria adiantar o trabalho. Quando a porta da sala do chefe se abriu, Erika quase não percebeu. Henrique, seu chefe, saiu sem fazer muito barulho, como sempre fazia, um homem de movimentos calculados e presença discreta, mas com uma autoridade que não precisava de palavras. Ele era charmoso de uma forma contida, o tipo de homem que sabia que tinha poder e o exercia com sutileza.
_ Ainda trabalhando? _ a voz grave de Henrique fez Erika erguer os olhos.
_ Sim, só terminando algumas coisas _ respondeu ela, tentando esconder a leve tremedeira que a voz dela ganhou ao ser surpreendida. Henrique se aproximou, as mãos nos bolsos de seu terno impecável.
O perfume dele chegou antes de seus passos, uma fragrância sofisticada que a fazia sentir uma leve vertigem. Ele parou ao lado da mesa dela, os olhos castanhos brilhando com uma curiosidade silenciosa.
_ Gosto do seu comprometimento _ disse ele, inclinando-se ligeiramente.
Erika sentiu o calor de seu corpo se aproximar, mesmo sem contato direto.
_ Mas você sabe que não precisa se sacrificar tanto.
Erika sorriu, um sorriso contido, quase nervoso. Ela sempre sentira uma tensão entre eles, algo não dito que se manifestava em olhares rápidos, toques ocasionais de mãos ao passar relatórios, e em momentos como esse, quando o silêncio dizia mais do que as palavras.
_ Não me importo. Gosto de estar em dia com minhas tarefas - ela respondeu, tentando parecer casual.
Henrique observou-a por um longo momento, e Erika sentiu o coração acelerar. Ele se moveu então, contornando a mesa e parando atrás dela. Ela quase não ousou se mexer, sentindo-o tão próximo.
_ Às vezes, você precisa relaxar um pouco _ disse ele, a voz mais baixa, quase um sussurro.
Erika sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha quando as mãos dele tocaram seus ombros de leve, com uma pressão sutil. Ela podia sentir o calor e a firmeza de seu toque através do tecido fino de sua blusa.
_ Eu... eu estou bem _ murmurou, mas sua respiração já traía seu nervosismo e excitação.
As mãos de Henrique deslizaram suavemente pelos ombros dela, descendo para seus braços, enquanto ele inclinava a cabeça mais perto. Erika fechou os olhos por um momento, sentindo o hálito quente dele roçar sua pele. Ela sabia que não deveria, que era perigoso, mas o desejo que vinha reprimindo por tanto tempo borbulhava agora à superfície.
_ Sabe, Erika... _ ele disse, quase roçando os lábios contra o pescoço dela _ você é uma funcionária exemplar. Mas tenho a sensação de que há mais em você do que mostra aqui no trabalho.
Ela abriu os olhos, encarando a tela do computador, mas sua mente estava muito longe de planilhas e relatórios.
O corpo dela reagia a cada palavra, a cada toque dele. Quando Henrique deslizou a mão para o lado dela, quase tocando sua cintura, ela soube que não havia mais volta.
Virando-se para encará-lo, seus olhos se encontraram, cheios de desejo não confessado. Erika viu o mesmo fogo nos olhos de Henrique, o mesmo desejo que ela sempre suspeitara, mas nunca tivera certeza. Ela se levantou devagar, o coração batendo forte, e sem dizer uma palavra, fechou a distância entre eles.
Os lábios se encontraram de forma intensa, como se ambos estivessem aguardando por esse momento há muito tempo. As mãos dele, firmes e seguras, puxaram-na para mais perto, enquanto Erika se entregava ao toque, ao calor, ao desejo que há tanto reprimia.
Naquele momento, o escritório se tornou um espaço onde regras e hierarquias desapareceram, e tudo o que restava era a conexão entre dois corpos e a intensidade do desejo compartilhado.
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